REFLEXÕES SOBRE O NORMAL E O PATOLÓGICO

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          O conceito de normalidade não pode ser tomado como uma entidade autônoma e definível em si mesmo, assim como o conceito de patológico só se estrutura a partir do momento que se intenciona estabelecer um padrão de normalidade.

          A Psicopatologia tenta estabelecer critérios científicos que possam delimitar a fronteira do normal e patológico. A loucura, fenômeno até então explicado pelo campo da religião e filosofia, passa a ser apropriada pelo campo da Medicina que lhe confere novo status e denominação: doença mental.

          Para Foucault (1994) “a doença só tem realidade e valor de doença no interior de uma cultura que a reconhece como tal”. Isso significa dizer que cada povo ou cultura cria e elabora os seus próprios critérios do que vem a ser considerado patológico ou não. O que numa cultura pode ser justificado e até compartilhado coletivamente, em outra pode causar estranhamento suficiente para justificar um diagnóstico psicopatológico.

          A doença não existe enquanto instância autônoma, mas é sempre circunscrita por uma construção coletiva do que se denomina e entende por patológico.Por outro lado, tomar a noção de doença mental como algo relativo à cultura e a um significado construído socialmente, também pode conduzir para um relativismo perigoso. Dessa perspectiva relativista, pode-se dizer que cada sociedade cria a doença com um perfil que se desenha através de um agrupamento das possibilidades humanas. Nesse sentido, a noção de doença é variável conforme variam os critérios de determinada sociedade, mas “é o afastamento do padrão cultural, a essência das diversas manifestações mórbidas. E aí está o paradoxo dessa perspectiva”. (FrayzePereira, 2001).

          Tomando esse conteúdo para análise, isso representaria dizer que qualquer que seja o conteúdo cultural da loucura, o dito “louco” seria aquele que demonstra “inadaptação” ou “desvio”, dentro de determinado grupo.Em outras palavras, a loucura só poderá ser reconhecida se, dentro daquela cultura exista um modelo de doença que justifique e circunscreva o comportamento “desviante”. As diversas classificações atualmente difundidas pela Psicopatologia reforçam a tese de que, mesmo na loucura, existem os modelos sociais do que se entende por doença. Portanto, há modos convenientes de ser “anormal”. 

cultura, loucura, normal, patológico, psicopatologia

quinta 15 abril 2010 16:38



3 comentário(s)

  • organizandoideias Ter 11 Mai 2010 01:39
    A contribuição genética só é muito forte nas doenças monogênicas, que dependem de um único gene, as chamadas doenças hereditárias, geralmente raras, em que podemos definir com precisão os riscos de transmissão aos filhos. Mas a maioria das doenças é mais complexa. Têm um componente genético, mas não são hereditárias, isto é, são devidas também (ou sobretudo) a fatores ambientais. Mas mesmo nas doenças monogênicas, a influência do meio pode ser grande.
  • organizandoideias Seg 10 Mai 2010 06:41
    É... Talvez tenha razão quem disse que "ninguém enlouquece, apenas piora"... ou será que devemos pensar na loucura como parte integrante da própria razão...
  • mundodelilith Seg 10 Mai 2010 04:59
    Com certeza, cada cultura tem estruturas que favorecem o aparecimento de certos distúrbios como, também, mecanismos que os combatem.
    A loucura antes de ser considerada requisito de uma patologia, é um fenômeno sociológico e cultural, pois, somente poderemos considerar a loucura como elemento manifesto da doença mental, quando esta estiver inserida em uma cultura que a reconheça como patologia. Assim, a loucura, é, sobretudo, um fenômeno cultural, como um subproduto do meio social onde está inserida.


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